cuidados
cuidado
é preciso ter
__cuidado
__________com as pedras
__________com o coração
um descuido
_e tudo fere
_______________tropeça
_______________sangra
pedra já é uma palavra muito dura
______e um coração pode endurecer
é preciso
_______________ter cuidado
___________com as palavras
________o chão fica muito liso
___________________com as palavras
__________________________derramadas
é preciso
__um pouco de prosa
_______nem que seja
____contar segredos de amor à rosa
é preciso deixar esta rima aí
__falando sozinha
_____________essa confissão
__________________premeditada
____________muito previsível
________________e tardia
é preciso
__uma bebida bem mais forte
_____________tomar as palavras de Cortázar
______________jogar o jogo da amarelinha
_______com a pedra de Drummond
cuidado
_________uma vida é cheia de amores
________e os amores
__________se disfarçam
_________________________às vezes
_________________________________coração
_________________________às vezes
____________________pedra
_________________________às vezes
_________________________________céu
_________________________às vezes
__________________inferno
é preciso ter cuidado
______________com os dias frios
______________com os dias úmidos
___________________com os musgos
______________________que deixam
__________________________pedras e corações
__________________________escorregadios
cuidado
________pedra é pedra
______coração é coração
não
não me pergunte
___________qual que bate
____________________aqui dentro
__________________o lodo
___________funciona como isolamento
_________________________acústico
________________qualquer som
___________________seria incompreensível
_____________________com palavras
_________________________abafadas
AL-Chaer
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domingo, 5 de abril de 2009
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
poema - Ano Novo
.
.
.
Ano Novo
gavetas
algumas gavetas
por abrir
rever papéis
um envelope
que não joguei fora
dentro
um cartão em branco
estão ali
todas as palavras
que eu não disse
que não quis dizer
ou que não pude
faltou motivo
faltou momento
faltou coragem
ou faltaram as palavras
palavras não ditas
amarelam papéis e sorrisos
lápis
alguns lápis
para estrear
outros para apontar
a felicidade do ano novo
é próspera
de palavras
novas e antigas
acreditemos
o tempo renova palavras antigas
estejamos preparados
o tempo envelhece palavras novas
se meu coração
fosse gregoriano
o dia mais feliz
seria primeiro de janeiro
não
meu coração é móvel
ama de calendário
em crescente lunar
na parte escura
uma história contada
em garatujas fenícias
a esperar
um pouco de arqueologia
um pouco de astronomia
e
com sorte
uma tradução
AL-Chaer
.
.
.
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.
Ano Novo
gavetas
algumas gavetas
por abrir
rever papéis
um envelope
que não joguei fora
dentro
um cartão em branco
estão ali
todas as palavras
que eu não disse
que não quis dizer
ou que não pude
faltou motivo
faltou momento
faltou coragem
ou faltaram as palavras
palavras não ditas
amarelam papéis e sorrisos
lápis
alguns lápis
para estrear
outros para apontar
a felicidade do ano novo
é próspera
de palavras
novas e antigas
acreditemos
o tempo renova palavras antigas
estejamos preparados
o tempo envelhece palavras novas
se meu coração
fosse gregoriano
o dia mais feliz
seria primeiro de janeiro
não
meu coração é móvel
ama de calendário
em crescente lunar
na parte escura
uma história contada
em garatujas fenícias
a esperar
um pouco de arqueologia
um pouco de astronomia
e
com sorte
uma tradução
AL-Chaer
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poesia visuAL - FELI2009
três versões para a mensagem de Ano Novo
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FELI2009
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(= (- (_ l (\) () () ()''''''
.
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AL-Braços
AL-Chaer
(fALzendo coro com a Frô e Todos ALqui)
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
poesia visuAL - natal (e uns versos...)
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.
.
.
.
(agora os versos...livres...)
.
cada um pode
uma parte do Natal
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pouco a pouco
nasceremos
o Todo
.
Natal
dentro de nós
.
.
.
AL-Chaer
.
.
.
(o título poderia ser "coração de manjedoura")
.
.
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sábado, 13 de dezembro de 2008
poema - orquídeas e dunas
.
.
.
orquídeas e dunas
tua pele
não somente ver tua pele
também não tocar tua pele
entrelinhar espaço e tempo
esse vazio urgente
entre o olhar e o toque
respirar
visão e tato
aprendo no caminho
falar com orquídeas e dunas
o ritmo da cor da tua pele
e te ver e te tocar
meu advérbio
de lugar
onde encontro
palavras
de pétalas e areia
fusão
nova escrita
estes grãos curvos
vitrais de seda
AL-Chaer
.
.
orquídeas e dunas
tua pele
não somente ver tua pele
também não tocar tua pele
entrelinhar espaço e tempo
esse vazio urgente
entre o olhar e o toque
respirar
visão e tato
aprendo no caminho
falar com orquídeas e dunas
o ritmo da cor da tua pele
e te ver e te tocar
meu advérbio
de lugar
onde encontro
palavras
de pétalas e areia
fusão
nova escrita
estes grãos curvos
vitrais de seda
AL-Chaer
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quarta-feira, 26 de novembro de 2008
poema - pontos
.
pontos
um
.
dois
:
três
...
dez
há
ponto
de exclamação
de interrogação
ponto fixo
ponto de fuga
ponto de tangente
dois pontos
uma reta
três pontos
um plano
quatro pontos
espanto
ponto de ônibus
ponto de táxi
registro de ponto
o ponto-cruz
a clara em ponto-neve
pontos ganhos
pontos perdidos
ao ponto
ponto de ebulição
ponto de saturação
pontual
aponto
a ponta do lápis
a borracha
engana meus pontos fracos
a ponta esferográfica
a ponta porosa
a ponta da pena tinteiro
a tinta permanente
expõe meus pontos de sutura
ponto de corte
a vida
sempre por um fio
de um ponto
final
ponto de partida
ponto de parada
segundo
ponto a ponto
escolha
.)a
:)b
...)c
AL-Chaer
pontos
um
.
dois
:
três
...
dez
há
ponto
de exclamação
de interrogação
ponto fixo
ponto de fuga
ponto de tangente
dois pontos
uma reta
três pontos
um plano
quatro pontos
espanto
ponto de ônibus
ponto de táxi
registro de ponto
o ponto-cruz
a clara em ponto-neve
pontos ganhos
pontos perdidos
ao ponto
ponto de ebulição
ponto de saturação
pontual
aponto
a ponta do lápis
a borracha
engana meus pontos fracos
a ponta esferográfica
a ponta porosa
a ponta da pena tinteiro
a tinta permanente
expõe meus pontos de sutura
ponto de corte
a vida
sempre por um fio
de um ponto
final
ponto de partida
ponto de parada
segundo
ponto a ponto
escolha
.)a
:)b
...)c
AL-Chaer
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
poema - estações
estações
água
mole em pedra
dura
a pedra
dura
a água
acaba
e o ditado
tanto bate até
que o menino acerta
as sílabas
do primeiro amor
a água atura
até acabar
o apito do trem
apita que o trem vem vindo
apita que o trem vai indo
o trem vem
o trem vai
entra e sai esse trem
trem bão
os trilhos fazem pequenas curvas
suaves
os rios
têm mais curvas
ela tem mais curvas que
os rios
nela eu penso reto
a veia
as veias
aveia com leite
tirado no curral
o bigode de espuma
nos lábios que eu beijei
no pasto
a égua da Rita
ri
relincha
meu cérebro de potro
o homem da cidade
chega
com umas máquinas esquisitas
lépitópi
gepêésse
o rio vai ficar no mesmo lugar
rio não anda
o homem diz que o rio vai acabar
eu rio
também
o homem ri
o mundo ri
menos o rio
que já riu
Rita
ri pra mim
depois
grita
vai entender os rio
vai entender os trilho
o mato cobriu os trilhos
o que sobrou dos trilhos
um dia
o trem se foi pra não voltar
o rio continua indo
nas chuvas
na seca
o fundo do rio aparece
todo rachado
é quando eu me lembro
que já senti muita saudade
vai entender as mulher
vai
AL-Chaer
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
poema - corasol
.
.
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corasol
se tardo cedo
se cedo tarde
cedo e tarde
ardo
queimo
entre as 10 e as 14
queimo
na sombra
queimo
entre as horas de teu corpo
queimo
fora de hora
tem tratamento
cremes pós-sol
tentam acalmar a pele
no hospital de queimaduras
o plano de saúde
cobre aplicação de raios laser
melhora o aspecto
da parte de fora
um coração que arde
não se cura do sol por dentro
ao anoitecer
de madrugada
deixa as cortinas abertas
para eu te queimar
de lua
AL-Chaer
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corasol
se tardo cedo
se cedo tarde
cedo e tarde
ardo
queimo
entre as 10 e as 14
queimo
na sombra
queimo
entre as horas de teu corpo
queimo
fora de hora
tem tratamento
cremes pós-sol
tentam acalmar a pele
no hospital de queimaduras
o plano de saúde
cobre aplicação de raios laser
melhora o aspecto
da parte de fora
um coração que arde
não se cura do sol por dentro
ao anoitecer
de madrugada
deixa as cortinas abertas
para eu te queimar
de lua
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sexta-feira, 10 de outubro de 2008
poema - preferencial ao portador
.
.
.
preferencial ao portador
o amor é cego
e pede sangue
oh positivo
oh negativo
nesta biometria
incalculável
à vista
a prazo
fujo do sinal de igual
não dou conta
ou se me dou conta
não somo
ou sumo
vale a gastrite
apostar a paixão
no seu mercado futuro
o amor não é cego
é a escuridão
que toma conta
tomo um pouco de ar
tomo um pouco de espaço
pra quê eletrocardiograma
a tira de papel é muito estreita
para esses altos e baixos
minha vista está turva
o amor é embaçado
não me venham com colírios
eu só preciso de uma bolsa
de sangue
tipo dela
e um anti-ácido
AL-Chaer
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preferencial ao portador
o amor é cego
e pede sangue
oh positivo
oh negativo
nesta biometria
incalculável
à vista
a prazo
fujo do sinal de igual
não dou conta
ou se me dou conta
não somo
ou sumo
vale a gastrite
apostar a paixão
no seu mercado futuro
o amor não é cego
é a escuridão
que toma conta
tomo um pouco de ar
tomo um pouco de espaço
pra quê eletrocardiograma
a tira de papel é muito estreita
para esses altos e baixos
minha vista está turva
o amor é embaçado
não me venham com colírios
eu só preciso de uma bolsa
de sangue
tipo dela
e um anti-ácido
AL-Chaer
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segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Série: Futebol em Movimento / AL-Chaer
Poesia Visual
AL-Chaer
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AL-Chaer
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Eu tinha colocado em um "pôsti" anterior, que voltaria para falar sobre os meus poemas visuais que participaram, recentemete, da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília. Eis, então.
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O eixo da obra Futebol em Movimento é a paixão pelo Futebol.
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Vários poemas visuais constantes deste conjunto foram submetidos à apreciação do curador Wagner Barja e cinco foram selecionados para a mostra OBRANOME II, que ficou em exposição no Museu Nacional da República, de 4 a 28 de setembro, fazendo parte dos eventos da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília.
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Cinco poemas visuais compõem o movimento desta paixão descrevendo os elementos fundamentais, a saber: a tática, o drible, a torcida e o ídolo, o Rei e a rivalidade.
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Estes Poemas Visuais – na linha do Letrismo – buscam representar a palavra ideogramatizada.
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Vários poemas visuais constantes deste conjunto foram submetidos à apreciação do curador Wagner Barja e cinco foram selecionados para a mostra OBRANOME II, que ficou em exposição no Museu Nacional da República, de 4 a 28 de setembro, fazendo parte dos eventos da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília.
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Cinco poemas visuais compõem o movimento desta paixão descrevendo os elementos fundamentais, a saber: a tática, o drible, a torcida e o ídolo, o Rei e a rivalidade.
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Estes Poemas Visuais – na linha do Letrismo – buscam representar a palavra ideogramatizada.
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Convido-os a visitar o Blog "visu-AL-Chaer", no endereço:
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Neste Blog, há - ALém de outros poemas visuais de minha ALtoria - todos estes poemas desta Série Futebol em Movimento, apresentados na sua Versão originAL e com fotos da Mostra de Poesia Visual, que aconteceu no Museu Nacional da República.
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AL-Braços
AL-Chaer
Um pouco sobre Poesia Visual
Para começar, a Poesia Visual divide o “leitor” em duas categorias: os que a apreciam como mais uma forma de manifestação da arte e os que (apreciando ou não) discordam do termo “poesia” utilizado para classificar esta manifestação artística.
Ainda há muita resistência para com a Poesia Visual. Uma resistência até que compreendida, principalmente em meados do século passado, pois a Poesia Visual foi considerada um movimento de vanguarda. Toda vanguarda incomoda. As vanguardas têm uma conotação de ruptura e, as rupturas perturbam a ordem natural dos acontecimentos. No entanto, se voltarmos ao tempo das cavernas, notaremos que as pinturas rupestres já davam uma pista de que o Homem necessitava de símbolos e signos como mais uma forma de se comunicar. Ali se manifestava a essência e, na minha opinião, a gênese da Poesia Visual.
A expressão “Poesia Visual” se espalhou mundialmente, no século passado. Atualmente, alguns estudiosos preferem chamá-la de Poesia Inter-semiótica, o que – conceitualmente – é um termo mais abrangente para representar esta forma de expressão. Contudo, a denominação Poesia Visual “pegou” e quanto a isto não há nada o que fazer.
Vejo que o cerne da resistência sobre esta manifestação da Poética está no equívoco que cometemos ao falar do que seja Poesia e do que seja Poema. Acontece que confundimos Poesia com Poema. Se formos buscar uma definição simples, fico com: Poesia é o gênero de composição poética e Poema é a obra deste gênero. Estamos acostumados com o Poema na forma de texto. A palavra como elemento por onde o Poema se forma para dar vazão à Poesia. Lembremos Platão, quando se preocupou em separar as obras literárias em três gêneros: a tragédia e a comédia (no teatro), a poesia lírica e a poesia épica. A Poesia Visual seria, portanto, mais um gênero da Poesia.
Convido-o, leitor, a atravessar a linha do tempo, sem nos preocupar com a cronologia: saltemos para o início do Século XX, com os caligramas de Apollinaire; retornemos ao final do Século XIX, com Mallarmé e sua profusão mesclando simbolismo e dadaísmo, especialmente no clássico Um coup de dês jamais n’abolira Le hasard; voltemos ao Século XX, com os estudos de Ezra Pound, o surgimento do Movimento Concretista (tendo o Brasil como um dos expoentes nesta linha, ao ponto de criar a denominação Poema Concreto, mundialmente adotada); ainda no Século XX, lembremos o Letrismo, na Europa de 1940; e o que dizer da Arte Pop, que colocou tudo junto?
Poderíamos explorar mais eventos nos últimos cem, duzentos anos, para dar exemplos de toda a efervescência dos movimentos artísticos e literários, mas os citados acima já bastam como referência para chegarmos à atualidade, com todo o avanço tecnológico, que coloca à disposição do Homem ferramentas de hiper-texto, onde texto, imagem, sons e movimento podem ser manipulados (no sentido “faber” da palavra) com extrema facilidade. Para concluir esta linha de raciocínio, o que – numa época – foi vanguarda, hoje é conseqüência natural da História da Poesia. Entendo que a Poesia Visual deve ser compreendida como mais um gênero, sem tomar espaço de nenhum outro.
A Poesia Visual parece muito com Artes Plásticas? Parece, sim. Utiliza dos recursos das instalações? Utiliza, sim. É Poeta? Ou é Artista Plástico? Quando se reduz (no sentido de síntese) ao objeto em si, parece escultura? Parece. E quando se utiliza da animação? Da imagem em movimento? Estaria mais próxima do cinema? O Poema Visual exagera no hermétismo? Carece de significação? Cadê o diálogo com o “leitor”? São indagações pertinentes, sim. Eu também as faço para mim mesmo. Mas este questionamento deve ser feito com “abertura” rumo a compreensão e não com má vontade, apenas com a pré-disposição ou – até – um preconceito para com a Poesia Visual.
Na minha produção de Poesia Visual, nos últimos 3 anos, tenho me limitado à “palavra ideogramatizada”, que – descobri - está no manifesto do “Letrismo”, de modo a não me afastar da palavra. E, analisando a minha trajetória e as experimentações e influências, a palavra ainda é o meu símbolo preferido. Daí eu ainda não ter passado ao objeto em si, ao objeto pelo objeto, simplesmente. Daí eu não ter – ainda – experimentado o poema visual que se parece, apenas, como uma escultura. Daí eu não partir para o poema visual que se parece, apenas, com uma tela de pintura e/ou colagem. Mas tudo é uma questão de opção. Só o tempo dirá se minha Poesia Visual trilhará outras vertentes, que não sejam o que chamo de “ode à palavra”, explorando os caracteres que a formam.
Mas, ficar querendo impedir essa interseção, acho que não tem sentido. E, salientando mais uma vez, o que foi vanguarda em meados do Século XX, atualmente não tem mais esta conotação. A questão das rupturas é uma discussão que ficou no passado, entre os oponentes da época. Atualmente, todos somos sobreviventes e ninguém perdeu a guerra, nem houve vencedores.
Há espaço para a Poesia no Poema-Texto. Há espaço para a Poesia no Poema Visual. São dois espaços distintos, que demandam leituras distintas. Um não sobrepuja o outro. E vice-versa. E, por falar em vice, não há “segundo lugar”. Há o lugar de cada um.
Ainda há muita resistência para com a Poesia Visual. Uma resistência até que compreendida, principalmente em meados do século passado, pois a Poesia Visual foi considerada um movimento de vanguarda. Toda vanguarda incomoda. As vanguardas têm uma conotação de ruptura e, as rupturas perturbam a ordem natural dos acontecimentos. No entanto, se voltarmos ao tempo das cavernas, notaremos que as pinturas rupestres já davam uma pista de que o Homem necessitava de símbolos e signos como mais uma forma de se comunicar. Ali se manifestava a essência e, na minha opinião, a gênese da Poesia Visual.
A expressão “Poesia Visual” se espalhou mundialmente, no século passado. Atualmente, alguns estudiosos preferem chamá-la de Poesia Inter-semiótica, o que – conceitualmente – é um termo mais abrangente para representar esta forma de expressão. Contudo, a denominação Poesia Visual “pegou” e quanto a isto não há nada o que fazer.
Vejo que o cerne da resistência sobre esta manifestação da Poética está no equívoco que cometemos ao falar do que seja Poesia e do que seja Poema. Acontece que confundimos Poesia com Poema. Se formos buscar uma definição simples, fico com: Poesia é o gênero de composição poética e Poema é a obra deste gênero. Estamos acostumados com o Poema na forma de texto. A palavra como elemento por onde o Poema se forma para dar vazão à Poesia. Lembremos Platão, quando se preocupou em separar as obras literárias em três gêneros: a tragédia e a comédia (no teatro), a poesia lírica e a poesia épica. A Poesia Visual seria, portanto, mais um gênero da Poesia.
Convido-o, leitor, a atravessar a linha do tempo, sem nos preocupar com a cronologia: saltemos para o início do Século XX, com os caligramas de Apollinaire; retornemos ao final do Século XIX, com Mallarmé e sua profusão mesclando simbolismo e dadaísmo, especialmente no clássico Um coup de dês jamais n’abolira Le hasard; voltemos ao Século XX, com os estudos de Ezra Pound, o surgimento do Movimento Concretista (tendo o Brasil como um dos expoentes nesta linha, ao ponto de criar a denominação Poema Concreto, mundialmente adotada); ainda no Século XX, lembremos o Letrismo, na Europa de 1940; e o que dizer da Arte Pop, que colocou tudo junto?
Poderíamos explorar mais eventos nos últimos cem, duzentos anos, para dar exemplos de toda a efervescência dos movimentos artísticos e literários, mas os citados acima já bastam como referência para chegarmos à atualidade, com todo o avanço tecnológico, que coloca à disposição do Homem ferramentas de hiper-texto, onde texto, imagem, sons e movimento podem ser manipulados (no sentido “faber” da palavra) com extrema facilidade. Para concluir esta linha de raciocínio, o que – numa época – foi vanguarda, hoje é conseqüência natural da História da Poesia. Entendo que a Poesia Visual deve ser compreendida como mais um gênero, sem tomar espaço de nenhum outro.
A Poesia Visual parece muito com Artes Plásticas? Parece, sim. Utiliza dos recursos das instalações? Utiliza, sim. É Poeta? Ou é Artista Plástico? Quando se reduz (no sentido de síntese) ao objeto em si, parece escultura? Parece. E quando se utiliza da animação? Da imagem em movimento? Estaria mais próxima do cinema? O Poema Visual exagera no hermétismo? Carece de significação? Cadê o diálogo com o “leitor”? São indagações pertinentes, sim. Eu também as faço para mim mesmo. Mas este questionamento deve ser feito com “abertura” rumo a compreensão e não com má vontade, apenas com a pré-disposição ou – até – um preconceito para com a Poesia Visual.
Na minha produção de Poesia Visual, nos últimos 3 anos, tenho me limitado à “palavra ideogramatizada”, que – descobri - está no manifesto do “Letrismo”, de modo a não me afastar da palavra. E, analisando a minha trajetória e as experimentações e influências, a palavra ainda é o meu símbolo preferido. Daí eu ainda não ter passado ao objeto em si, ao objeto pelo objeto, simplesmente. Daí eu não ter – ainda – experimentado o poema visual que se parece, apenas, como uma escultura. Daí eu não partir para o poema visual que se parece, apenas, com uma tela de pintura e/ou colagem. Mas tudo é uma questão de opção. Só o tempo dirá se minha Poesia Visual trilhará outras vertentes, que não sejam o que chamo de “ode à palavra”, explorando os caracteres que a formam.
Mas, ficar querendo impedir essa interseção, acho que não tem sentido. E, salientando mais uma vez, o que foi vanguarda em meados do Século XX, atualmente não tem mais esta conotação. A questão das rupturas é uma discussão que ficou no passado, entre os oponentes da época. Atualmente, todos somos sobreviventes e ninguém perdeu a guerra, nem houve vencedores.
Há espaço para a Poesia no Poema-Texto. Há espaço para a Poesia no Poema Visual. São dois espaços distintos, que demandam leituras distintas. Um não sobrepuja o outro. E vice-versa. E, por falar em vice, não há “segundo lugar”. Há o lugar de cada um.
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AL-Braços
AL-Chaer
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
I BIP - Brasília
Caríssimas e Caríssimos,
Escrevo este "post" para compartilhar com vocês da satisfação que tive, na semana passada, ao participar da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília.
Um evento muito grande (nos dois sentidos, quantidade e qualidade).
Para vocês terem uma idéia do que ocorreu por lá, o link é:
http://www.bienaldepoesia.unb.br/
(na programação, tem-se uma noção do tamanho do evento, a poesia em todas as formas de expressão, na escrita, na fala, na forma visual, no teatro, no cinema, no objeto, nas diversas mídias...oficinas, palestras magnas, Simpósio de Crítica de Poesia na UnB, Feira do Livro...)
Estive presente em vários momentos:
1. Lançamento Coletivo de Livros, no saguão da Biblioteca Nacional. Levei o meu "partitura".
2. Fiz uma leitura de poemas de "partitura" lá na UnB, no Simpósio de Crítica de Poesia. A receptividade dos acadêmicos foi surpreendente.
3. Apresentei alguns poemas nos eventos chamados POEMAÇÃO, à noite, atividade que era realizada em bares.
4. Sobre meus poemas visuais, fui selecionado para a MOSTRA DE POESIA VISUAL, denominada OBRANOME II, com a minha série sobre FUTEBOL. A mostra está em exibição desde 4 de setembro, indo até o dia 28, lá no belíssimo Museu Nacional da República (obra do Arquiteto Oscar Niemeyer). Sobre esta mostra, eu dedicarei um "post" especial.
5. Participei da Mesa Redonda com outros "artistas" (é isto mesmo, AL-Chaer ALgora também é ALrtista...he he he), o que foi uma discussão muito enriquecedora, para a minha trajetória no Movimento da Poesia Visual.
Tinha gente de tudo quanto é canto. Do Brasil e do Exterior. Para vocês terem uma idéia, o catálogo da Mostra de Poesia Visual foi editado em edição trilíngüe (eu AINDA USO O TREMA!!!), Português, Espanhol e Inglês.
E, para a felicidade ser maior, reencontrei a nossa querida Nálu Nogueira, que foi prestigiar o ALmigo, o que foi uma honra para mim.
Então, taí o recado.
AL-Braços
AL-Chaer
Escrevo este "post" para compartilhar com vocês da satisfação que tive, na semana passada, ao participar da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília.
Um evento muito grande (nos dois sentidos, quantidade e qualidade).
Para vocês terem uma idéia do que ocorreu por lá, o link é:
http://www.bienaldepoesia.unb.br/
(na programação, tem-se uma noção do tamanho do evento, a poesia em todas as formas de expressão, na escrita, na fala, na forma visual, no teatro, no cinema, no objeto, nas diversas mídias...oficinas, palestras magnas, Simpósio de Crítica de Poesia na UnB, Feira do Livro...)
Estive presente em vários momentos:
1. Lançamento Coletivo de Livros, no saguão da Biblioteca Nacional. Levei o meu "partitura".
2. Fiz uma leitura de poemas de "partitura" lá na UnB, no Simpósio de Crítica de Poesia. A receptividade dos acadêmicos foi surpreendente.
3. Apresentei alguns poemas nos eventos chamados POEMAÇÃO, à noite, atividade que era realizada em bares.
4. Sobre meus poemas visuais, fui selecionado para a MOSTRA DE POESIA VISUAL, denominada OBRANOME II, com a minha série sobre FUTEBOL. A mostra está em exibição desde 4 de setembro, indo até o dia 28, lá no belíssimo Museu Nacional da República (obra do Arquiteto Oscar Niemeyer). Sobre esta mostra, eu dedicarei um "post" especial.
5. Participei da Mesa Redonda com outros "artistas" (é isto mesmo, AL-Chaer ALgora também é ALrtista...he he he), o que foi uma discussão muito enriquecedora, para a minha trajetória no Movimento da Poesia Visual.
Tinha gente de tudo quanto é canto. Do Brasil e do Exterior. Para vocês terem uma idéia, o catálogo da Mostra de Poesia Visual foi editado em edição trilíngüe (eu AINDA USO O TREMA!!!), Português, Espanhol e Inglês.
E, para a felicidade ser maior, reencontrei a nossa querida Nálu Nogueira, que foi prestigiar o ALmigo, o que foi uma honra para mim.
Então, taí o recado.
AL-Braços
AL-Chaer
domingo, 6 de julho de 2008
quinta-feira, 3 de julho de 2008
poema - biodegradável
biodegradável
corações quebram
como vidros
se não quebrassem
seriam de plástico
é preciso muito tempo
para decompor o amor de plástico
é preciso muito mais tempo
para decompor o amor de vidro
não adianta o coração
vir em alumínio
quem usaria um amor reciclado
não
não me venha com a idéia
de um coração de madeira
certificada
por reflorestamento legal
não há como certificar um coração
todo coração tem vocação para incendiário
queima primeiro por dentro
e cada peito em cinzas
só aumenta as estatísticas de devastação
o coração
tinha que ser de papel
que se dane a consciência ecológica
de manhã
na papelaria da esquina
compro muito lápis
compro muita borracha
compro muito apontador
à noite
nas calçadas
amassado
compro até amor
AL-Chaer
domingo, 1 de junho de 2008
poema - dança comigo
dança comigo
a música alta
no centro da pista
sua dança
movimenta meus ritmos
para a surdez
urgente
é preciso ouvir
seus cabelos
tocando os sons
de meus ombros
é preciso ouvir
suas mãos
esticando a melodia
de meus braços
é preciso ouvir
seus pés
vibrando a percussão
de minhas pernas
vozes de seus brincos
vozes de sua pulseira
vozes de seus anéis
vozes de seu vestido
vozes de suas sandálias
o desejo fala
quando você dança
meus olhos
sussurram
na sua cintura
toda música fica nua
AL-Chaer
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quarta-feira, 21 de maio de 2008
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