sábado, 2 de fevereiro de 2008

Dois momentos


Um silvo cruzou a noite. Não era prece. Não era chamamento.Talvez, no alto, as Parcas, se tivessem desentendido.

HFM - 28.01.08


*** * ***



Ouviste o murmúrio do vento? Canto das Tágides, promessa de infinito.

HFM - 31. 01.08

Tags, a todos

Queridos,

Olê neste post aqui, além de fazer uma linda homenagem ao Lau, ensina-nos muito sobre tags.

Vou dizer a vocês, como boa virginiana e historiadora que sou, adoro tags :). Elas são fundamentais na rede, pois por meio delas nossas pesquisas são possíveis.

Desde o dia 20/01/2008 quando nosso blog foi parido, temos 34 postagens, mais de mil visitas e estamos só no dia 02/02/2008. Como espero que nosso blog tenha vida longa como a nossa amizade, acho por bem que sejamos organizados nas tags.

Para quem não está familiarizado com a ferramenta do blog (coisa que sei esse nosso blog vai corrigir) é só prestar atenção quando abrirem uma página de nova postagem no quadro ao final da página (Marcadores para essa postagem). É aí nesta linha que vocês inserem as palavras chaves da postagem de cada um.

Eu dediquei um tempinho hoje pela manhã para definir as tags de todas as postagens que estavam em branco. Estou usando o seguinte critério: se é poesia originalmente escrita em português, uso a expressão poesia em língua portuguesa, se é conto (conto em língua portuguesa) o mesmo para crônica. Uso sempre o nome do autor e por vezes se tiver o título da referida obra postada. Se for um post como esse, seleciono o central e a autoria (tags, pesquisa, Frô).

Para checarem a utilidade das tags, experimentem clicar em alguma delas nos posts já publicados, experimentem, por exemplo, 'poesia língua portuguesa', verão que maravilha que é :)

beijinhos a todos e ótimo carnaval.

Frô

3 – A Dama do Metrô

Estava em pé e cansada, a perna doía. Fazia um calor não muito quente, era um calor ameno, mas que a deixava inquieta. Olhou para os lados. Credo, como tem gente feia. O que está acontecendo - perguntou mentalmente ao perceber um rapaz bocejar mostrando as falhas nos dentes - não há mais homem bonito. Cada bagulho! Nisso a moça que estava sentada a sua frente, levantou. Ufa! Graças a Deus, vou sentar. Porém, notou um olhar pedinte que não teve como não recusar. Cedeu-o para o senhor que estava ao seu lado. “Obrigada moça”. “Não tem de quê”, respondeu com uma pontinha de raiva dentro dela, que provocou um sentimento de vergonha.

Se acontecesse alguma coisa para quebrar a monotonia... Mas já estava quase na metade da viagem e, até agora, nada acontecerá. Que droga! Sentia-se deprimida, estaria perdendo os encantos, os homens não tinham mais atração por ela? Também, esses bagulhos...
“Estação Tatuapé!”, berrou a voz dentro do trem. Abriram-se as portas e uma enxurrada de massa humana adentrou no vagão empurrando e tropeçando. Exclamações pipocaram aqui e ali reclamando.

Ela continuou na sua, quieta, estava no corredor, bem no meio do vagão, portanto não tinha como ser empurrada. Distraída nos pensamentos não viu que ele se postou atrás dela. Sentiu uma pequena pontada nas costas, de leve, roçando o excitamento que despertava.

Ele malandro conquistador, notou a beleza estonteante dela. Obedecendo ao instinto de macho, começou com o seu joguinho audacioso. Postou o braço ao longo do corpo como ninguém quer nada, foi se aproximando dela que pedia carinho. Aproveitou que passavam por suas costas, espremendo-o contra ela, abriu a mão que roçou a nádega dela.

Ela, para disfarçar olhou para traz com o intuito de reclamar, mas seus olhos castanhos claros divisaram uns olhos azuis a ponto de derreterem seu cansaço. Soltou os músculos, se preparou para o que desse e viesse e, quem sabe...

Sua alma se expandiu aquecendo a carne faminta. Sua pele se eriçou quando a mão dele invadiu sua privacidade. Uma brisa suave lambeu suas coxas febricitando a mata úmida regozijando de prazer. Seu corpo se amoleceu, uma vertigem dominou seus sentidos. Não estava conseguindo se dominar. Suas pernas se dobravam lentamente. Estava desmaiando com a quentura da mão dele em sua pele intima, protegida apenas pela saia de pano fino. Nisso ouviu a voz dele pedindo...

- Por favor, senhorita, pode me dar licença?

Ahn! Que foi? Olhou para traz, não viu os olhos azuis e, sim, uns olhos safados, maliciosos, óculos fundo de garrafa e sorriso amarelo, cheirando a café amargo e suor azedo.

Embaraçada, sem entender o que lhe acontecerá, rapidamente desceu e, para o seu espanto, estava no final da linha e perdida.
29.09.06
pastorelli

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Ole, Olá


Pessoal, fico bastante feliz por vocês terem gostado do layout da nossa casita.

Mas não posso levar o crédito sozinho, porque muito é culpa da Frô, que eu fazia e ela dizia "ai, mas isso aí tá muito caretinha" ou então "ai, mas isso aí tá muito escuro, tá muito opaco, tem de ter mais transparência" ou "o cabeçalho tem de ser uma imagem que exprima isso e isso e isso".

Enfim, tive uns briefings bem específicos e uma "cliente" que me fez ir ao next level.

Essa flor amarela aí é pra uma determinada pessoa que, obviamente, deverá pagar a prenda com um poema. No excuses. Sorry. Vai colocando o poemito aí já já viu?

Também aproveito pra avisar que vou sumir por uma semana ou mais.


Um abraçOle n'ocês
e não fiquem desconjuntados de tanto pular o Carnaval.


Deixo-lhes com esse poema delicioso de Rafael Alcidez Perez:


La Nariz
Rafael Alcides Perez


La nariz tiene condición de juez.
Al contrario del ojo izquierdo y del derecho, que han tomado partido,
la nariz, inescrutable, se mantiene en el centro
— con algo de espada o de martillo.
Imitándola, la boca.
Pero la boca es hipócrita:
sonríe a la izquierda y a la derecha.


In: Y se mueren y mueren y mueren, 1988
Venezuela

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fiu-fiu
belladonna
:
assoviar
e
chupar
cona

SE FOI

...e quando o imbecil fala do futuro, ratos pululam
saindo do esgoto milenar parisiense,
roem pedaço por pedaço da minha mente apodrecida
com furos de queijo suíço,

de tanto padecer e mal viver
escondido em buraco fedido coberto
por cortinas abanadas por vento de safadezas,
meu rosto, meu corpo, meu todo,
oh, seleta podridão,

minha mente não implora seráfico “me perdoa”,
apenas o farfalhar indecente de gozos,

não ouso julgar minha vida em vida,
não é boca de cavalo presenteado, nem sua bosta fumegante ,
é retalhe, detalhe, malha de amores e dissabores,
paixões destrutivas, dores incuráveis, cárcere do Barão de Sade,

o que me resta é a palavra caçada, muda e calada,
deixem – me falar, prantear a dor do desamor,
clamar pelo que foi meu e se foi!

I.L



poema - ócio

ócio


me vi
cio

nas horas vagas
do teu corpo
nas horas plenas

entre um cio

e outro

sacio
e
não sai cio


AL-Chaer