fragrância
© mauricio rosa
o teu silencio vestia
completamente a angústia
apalpava-me os anseios
incitava devaneios
sujava o céu dos meus dias
e quando a lua sem brilho
anciã jazia oculta
por detrás do meu cansaço
balbuciava um segredo
cofiava o vão dos medos
e se deixava antever
nos desvãos da pradaria...
não que quisesse teu corpo
porque teu cheiro bastava!
quarta-feira, 11 de junho de 2008
terça-feira, 10 de junho de 2008
22 – A Dama do Metrô.
... descobria um mundo interminável de variáveis prazeres que nunca sonhara em ter.
- Por favor, pode dizer o seu nome, perguntou com o rosto afundado no travesseiro, fazendo sua voz soar meio abafada.
- Rodrigo.
- Malu, prazer Rodrigo.
- O prazer será somente nosso, Malu.
Sim, é isso, só nosso, pensou. Rodrigo tinha uma capacidade incrível de não se fazer sentir pesado, como tantos outros. Malu sentia-o totalmente e ao mesmo tempo era como se o corpo dele flutuasse acima do seu, apenas, ligado pelos desejos. Como agora, deitada de bruços, os corpos rangiam a cama num vai e vem frenético, sem ser violento, sem ser animalesco. Não quis dizer a ele, mas já chegara ao clímax duas vezes. Tinha que concordar, esse corpo franzino sabia do seu potencial. E esse potencial Malu acarinhava numa demonstração de afeto e prazer.
- Posso lhe pedir uma coisa? – perguntou Rodrigo.
- Sim, claro, pode.
Rodrigo encostou a boca no ouvido de Malu e sussurrou.
- O que?
- É, isso mesmo, você faz?
- Você quer que eu...
- Sim.
- Mas isso é perversão, quase gritou.
- Não vejo como perversão, vejo como uma solução para completarmos os nossos desejos. - Mas... Olha, Malu, não sei se você sabe ou não, mas entre quatro paredes vale tudo.
- Bom, é que eu...
- Nunca te pedirão isso?
- Não, que eu saiba...
- Vou lhe dizer outra coisa. Sei que você já gozou três vezes, enquanto que eu preciso disso para gozar, entende? Assim, eu gozo uma vez e você tem a chance de gozar mais uma vez.
- Está bem.
- Isso. Passe bastante vaselina e introduza bem devagar.
Malu, constrangida, passou bastante vaselina no dedo e introduziu dentro dele. Nesse momento, Malu sentiu uma vertente do amante que escondida veio à flor da pele. Rodrigo passou a gemer com sexualidade levando-a ao clímax compartilhando, os dois juntos, um orgasmo só.
Rodrigo que já vinha demonstrando respeito, carinho nos gestos, nas ações, na voz, passou a ser redobrado tudo isso num amalgama de luxúria desenfreada sem cair no furor animalesco que muitos homens, sem controle, se deixam levar desprezando o lado humano da pessoa.
Deitada ao lado desse corpo franzino, quase sem consistência, sentiu respeito, quase amor, mas refreou, pois não podia ser levada pelo seu sentimento. Vendo Rodrigo sair do banheiro pingando água, se envaideceu a tal ponto que uma lágrima correu por sua face.
- Aqui está o combinado, disse inclinando-se sobre seu rosto, beijando-a carinhosamente.
- Ta certo, disse Malu, querendo prolongar o momento, mesmo sabendo que não poderia.
Rodrigo saiu fechando a porta atrás dele. Malu se encolheu nos lençóis cheirando suor e desejo, e procurou dormir um pouco, guardando na palma da memória os momentos bons daquela noite.
06.11.06
pastorelli
íris
© mauricio rosa
eram meus teus olhos
de menina sobre
o silêncio exposto
e esse receio
cacoete antigo
centenário gosto
de criança pobre...
era meu teu rosto
carcomido eterno
no retrato posto
fincado no tempo
roto qual lamento
viandante e só!
nosso era o tempo
de cheiros e exemplos
que o sal lavou!
© mauricio rosa
eram meus teus olhos
de menina sobre
o silêncio exposto
e esse receio
cacoete antigo
centenário gosto
de criança pobre...
era meu teu rosto
carcomido eterno
no retrato posto
fincado no tempo
roto qual lamento
viandante e só!
nosso era o tempo
de cheiros e exemplos
que o sal lavou!
quarta-feira, 4 de junho de 2008
21 – A Dama do Metrô.
Malu ergueu a perna e passou por cima da cabeça do amante que, aconchegou comodamente num fremir de desejos e gemidos. Malu não queria só proporcionar prazer, queria também que o parceiro proporcionasse a ela a satisfação que, se não fosse plena, mas fosse aprazível pelo menos. Por isso, se submetia aos caprichos dos amantes. Sendo assim, afastou as pernas e se entregou aos vitupérios da peçonhenta língua.
Por causa do feriado, o metrô estava praticamente vazio. Sentia um aperto constrangedor sem noção do que se passava com ela. Talvez por ver o pessoal de um lado para o outro carregando suas malas a fim de desfrutar o feriado prolongado. Tinha se preparado mentalmente para aquela ocasião, mas como sempre, o preparo não fora suficiente. Precisava ainda de muito esforço para entrar numa tranqüilidade zen e não se preocupar por não poder fazer o que desejava. Havia muito ainda para aprender.
- Desculpe.
- Não foi nada.
Assustou-se com o rapaz que entrando no trem esbarrou nela. Malu seguiu o rapaz com o olhar. Sorriu lentamente no brilho dos olhos castanhos escuros, sobrancelhas aparadas cuidadosamente, dentro de um rosto quase oval, sobrepondo a umas mexas de cabelo que teimavam cair sobre a testa. Retribuindo, o rapaz jogou de volta o sorriso.
Em certas ocasiões, Malu se entregava a ponto de, conscientemente, se desligar ao que se passava. Seu corpo estava ali aceitando sem reclamar os carinhos e gestos, às vezes, asquerosos dos parceiros, mas sua mente voava em horizontes mais confortador e aprazível. Aprendia rapidamente a técnica das prostitutas: entregava o corpo pelo sustento e, recolhia a alma para, se um dia surgisse, príncipe encantado.
Malu também tinha seus sonhos que eram naquele momento subjugados aos desejos da carne.
- Vamos mudar de posição, disse o amante em seu ouvido numa voz calma e profunda.
- Está bem, respondeu e virou-se de bruços.
Ao vê-lo dentro do terno azul marinho, gravata vermelha e camisa branca, Malu não dera muito valor ao corpo franzino do rapaz. Mas no aconchego dos lençóis...
03.11.06
pastorelli
terça-feira, 3 de junho de 2008
Matrimônio
Amanheceu o dia
e apesar da chuva
eu estava feliz
quis dividir contigo
e não te vi
pensei fosse a chuva
a te levar embora
então me lembrei
foi naquela madrugada
que nos perdemos
quando te viraste para o lado
(choravas)
e eu, de enfado
adormeci.
e apesar da chuva
eu estava feliz
quis dividir contigo
e não te vi
pensei fosse a chuva
a te levar embora
então me lembrei
foi naquela madrugada
que nos perdemos
quando te viraste para o lado
(choravas)
e eu, de enfado
adormeci.
Asta Vonzodas
domingo, 1 de junho de 2008
poema - dança comigo
dança comigo
a música alta
no centro da pista
sua dança
movimenta meus ritmos
para a surdez
urgente
é preciso ouvir
seus cabelos
tocando os sons
de meus ombros
é preciso ouvir
suas mãos
esticando a melodia
de meus braços
é preciso ouvir
seus pés
vibrando a percussão
de minhas pernas
vozes de seus brincos
vozes de sua pulseira
vozes de seus anéis
vozes de seu vestido
vozes de suas sandálias
o desejo fala
quando você dança
meus olhos
sussurram
na sua cintura
toda música fica nua
AL-Chaer
Marcadores:
AL-Chaer,
poesia língua portuguesa
Assinar:
Postagens (Atom)
