domingo, 5 de abril de 2009

poema - cuidados

cuidados


cuidado
é preciso ter

__cuidado
__________com as pedras
__________com o coração

um descuido
_e tudo fere
_______________tropeça
_______________sangra

pedra já é uma palavra muito dura
______e um coração pode endurecer

é preciso
_______________ter cuidado
___________com as palavras

________o chão fica muito liso
___________________com as palavras
__________________________derramadas

é preciso
__um pouco de prosa
_______nem que seja
____contar segredos de amor à rosa

é preciso deixar esta rima aí
__falando sozinha
_____________essa confissão
__________________premeditada
____________muito previsível
________________e tardia

é preciso
__uma bebida bem mais forte
_____________tomar as palavras de Cortázar
______________jogar o jogo da amarelinha
_______com a pedra de Drummond

cuidado
_________uma vida é cheia de amores
________e os amores
__________se disfarçam

_________________________às vezes
_________________________________coração

_________________________às vezes
____________________pedra

_________________________às vezes
_________________________________céu

_________________________às vezes
__________________inferno

é preciso ter cuidado
______________com os dias frios
______________com os dias úmidos

___________________com os musgos
______________________que deixam
__________________________pedras e corações
__________________________escorregadios

cuidado

________pedra é pedra
______coração é coração

não
não me pergunte
___________qual que bate
____________________aqui dentro

__________________o lodo
___________funciona como isolamento

_________________________acústico

________________qualquer som
___________________seria incompreensível
_____________________com palavras
_________________________abafadas


AL-Chaer

quarta-feira, 25 de março de 2009

53 – A Dama do Metrô


Malu constatou ser verdadeiro o que lhe dissera. Ela se transformava numa formiguinha. Mas em compensação notou, assim que seus olhos bateram nele, o sorriso fantástico, atraente, confiante...

Durante o trajeto, no corsa preto, confirmou-se o que ela previra. Ele era um cara simples como ela era uma simples mulher. Conversaram animados como se conhecessem há muito tempo. Ficou sabendo que ele torcia pelo Corinthians, tanto é que levou a um bar decorado de preto e branco com fotos, bandeiras corintiana.

Torcedor fanático não admitia que o time perdesse e, justamente naquele dia, o Corinthians jogava e, por infelicidade, acabou perdendo, deixando-o meio sorumbático.

Pediram chopes, uma tábua de frios, conversando animados. Algo dizia que ele a queria na cama e não numa mesa de bar. Durante a conversa muito chope ingerido. Malu sacanamente, roçou sua mão na perna dele. Notou um estremecimento na voz que ela constatou fisgado.

De repente, sobressaltando-se, arrastou a cadeira para o lado dela. Enlaçou os seus ombros e, afoito, começou a beija-la. A principio, surpreendida tentou alguma reação, no entanto, sentindo a pressão dos lábios dele, quente e sensual, a língua penetrando a boca em busca do prazer, fazendo com que esbarrasse numa eufórica alucinação excitando-a como nunca.

Os beijos invadiam, preenchiam os espaços não dando folga para respirar.

23.01.07
pastorelli

terça-feira, 17 de março de 2009

52 – A Dama do Metrô.


Faltava um encontro e, este surgiu numa casualidade entre um assunto e outro, quando se revelou entre eles, a possibilidade de realizarem o que muito vinham desejando. Apesar de Malu morar numa região distante, quase que praticamente do outro lado da cidade, foi com vergonhosa ansiedade, marcaram o dia e hora. Logicamente Malu nunca prevenira o que poderia acontecer, se fosse prevenida ou, se fosse possível prever o acontecido antes dele acontecer, claro que ela teria recusado, mas, enfim, como dizia sua mãe: saiu na chuva tem que se molhar. E ela saia para se molhar, não tinha medo.
O encontro estava marcado para ser numas das estações do metrô, tanto ela como ele, combinaram ir de azul. Malu de saia, blusa e até bolsa e sapato azul, ele de camisa esporte e calça jeans, não tinham como errar. Porém por uma fração do tempo ingrato, Malu ficou plantada na estação por quase meia hora, e o mais engraçado, o que na hora nem prestou atenção, todos que passaram por ela estavam de azul, tanto homem como mulher. Será que combinaram, será que é algum protesto e não estou sabendo? – perguntou intrigada com a coincidência. Não tinham o que errar, disse para si mesma, além do azul que vestimos, ele é desproporcionalmente alto. Perto dele Malu era a formiguinha enquanto ele era o Jotalhão. Porém, mesmo com essa diferença física, bateu entre eles uma química irresistível.
22.01.07
pastorelli

domingo, 8 de março de 2009

51 – A Dama do Metrô.


Piadas e Risos! Que sacanagem era essa, pensou colocando o papel na bolsa. Desceu do metrô na estação do seu destino e não pensou mais no assunto. No entanto ao chegar em casa, precisamente ao ligar o micro, lembrou do rapaz. Acessou o Yahoo, procurou o grupo de piadas e risos e, se cadastrou. Logo em seguida começou a receber uma enxurrada de mensagens. Algumas eram piadinhas às vezes infames, outras satíricas, charges das mais variadas de estilos, a maioria políticas logicamente, e poucas de fatos engraçados; a lista se prestava somente para isso mesmo. E de piada em piada, descobriu o rapaz do metrô. Ali na lista ele era chamado de Ari Toledo, pois era o que mais conhecia piada, qualquer tema que fosse jogado na lista, sabia pelo menos de uma.
Depois de quase uma semana, Malu se identificou.
- Ola, Ari, tudo bem?
A partir dessa primeira apresentação, começaram a se escreverem mutuamente, eram os que mais escreviam, depois o assunto começou a ficar picante, mais individual, passaram a se comunicar em privado. Foi dessa maneira esdrúxula que Malu passou a conhecer Andi. E seguiram se conversando, trocando e-mails ora falando de diversos assuntos, ora de coisas banais, e ora da vida deles.

Chegaram a conclusão que havia muitas afinidades entre eles, afinidades que deveriam levar em conta, caso se aprofundassem a ponto de criarem uma seqüência de atos que levariam os dois ao namoro aventureiro. Malu, ciente disso, se empolgando com o rapaz, pisava com cuidado no terreno ainda praticamente desconhecido. Andi, como se declarou, viúvo, tinha uma filha de 12 anos vivendo com a avó, procurava mais uma aventura do que propriamente um amor, ainda guardava da esposa dolorosas recordações, e, acabou se declarando:
- Preciso de um apoio, me desequilibrei totalmente com a morte da esposa, disse num repente como se tirasse um peso dos ombros.
Malu se sensibilizou com a história dele e, com pena ou carência, pela luta que enfrentava, mais a responsabilidade em criar a filha, provocou nela um sentimento maternal obsessivo em cuidar dele. Por mais de dois meses e meio, criaram uma amizade virtual, que logo se estendeu ao telefone, aos torpedos, só faltava marcarem um encontro.

19.01.07
pastorelli

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

50 – A Dama do Metrô


Malu acordou sobressaltada. Tremia e suave sem saber o porque. Ao sair, tinha um gato preto bem em frente ao portão. Benzeu-se três vezes sarava mangalô que o diabo te pegue. Era o terceiro gato morto que aparecia nesse mês. Alguém não gosta de animal, pensou.

Hoje o dia não seria bom. Apesar de não acreditar nessas coisas, fez o sinal da cruz ao subir no ônibus. O merda do motorista apressado, acelerou quase a derrubando por cima do senhor sentado no primeiro banco.

- Que merda! Desculpe, senhor.

No metrô, devido a lentidão por causa de uma avaria técnica numa das estações, foi comprimida entre um senhor de aspecto macabro e de uma senhora que mais parecia Macbeth em dia de funeral.

No entanto um pouco distante dela, encontrou dois pares de olhos que não se despregavam dela. Não gostava dessa situação, pois apenas conseguia ver os olhos, queria ver o conjunto todo do rosto, principalmente o nariz e a boca. Achava essas duas partes do rosto sensual e importante.

Na estação seguinte, por não sei o que, se milagre ou que fosse, o senhor e a senhora desceram, o que, entre ela e os dois pares de olhos, a distancia ficou menor. Como sempre fazia, olhou bem dentro dos olhos do rapaz que, por segundos, sustentou o olhar, esboçando uma leve comichão no canto esquerdo da boca revelando um sorriso bonito.

Malu se postou a espera, talvez de alguma coisa, de um convite, porém o rapaz passou por ela e colocou em sua mão um papel e, rapidamente desceu do metrô. Da plataforma, gesticulou dando a entender para que lesse o papel.

Com a angústia e a dúvida ativando a curiosidade, seus dedos trêmulos, devagar desdobraram o papel. E qual não foi à surpresa ao ler o que estava escrito.

- Esse é um endereço para você se cadastrar e escrever para a lista de Piadas e Risos, espero você lá.

18.0.107
pastorelli

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

49 – A Dama do metrô.


Depois dessa investida bruta, quase animalesca, ele tirou minha roupa, peça por peça, coisa que já me fizeram, contudo havia em seus gestos uma fleuma requintada que, aos poucos, me fascinava. Completamente nua, ele me pegou em seus braços e, como a noiva que é levada pelo noivo ao abatedouro dos prazeres, ele me pegou e me levou ao banheiro. Aliás, devo dizer que o banheiro, assim como tudo no apartamento, era um luxo só, a banheira mais parecia uma piscina do que propriamente banheira, tudo de um azul contrastando com um verde desbotado, dando um prazer em estar ali, proporcionando uma calma, parecia o paraíso nirvanico.
Colocou-me dentro da enorme banheira e abriu as torneiras. Uma água morna, alisou minha pele excitada, uma água perfumada. E enquanto a banheira enchia, ele foi me enchendo de beijos longos, prolongados, me afagando em todos os sentidos possíveis e imagináveis. Sentia a mulher mais desejada do mundo. Teso sem se precipitar, tanto ele como eu fomos levados a orgasmos violentamente suaves, me penetrou várias vezes, me levou a loucura com beijos, carícias dando a impressão que seria infindável.
Estávamos numa sintonia eufórica que não foi preciso ele pedir, pois com seu carinho, olhares e lambidas, fiz o que uma mulher agradecida faria. Fiz-lhe o prazer em sentir o maior desejo que um homem goste que o façam, e ele retribui mantendo-se ereto roçando minhas tangencias até o gozo que escorreu saciando a sede da minha boca, meus seios, minha barriga... Foi uma delicia. Ali estava um verdadeiro amante que sabia o que uma mulher deseja e precisa. Foi um orgasmo uivante de ambas as partes. E quando saciados, ele me lambeu todinha, me beijou e me deu um banho inesquecível.
Aninhando-se em meus braços, disse que era casado e, poucas pessoas tinham o prazer de pisar naquele apartamento e, queria novamente vê-la.
Dizem as más línguas invejosas, que os dois ficaram juntos por mais de 5 anos, naquele amor doido, de devassos, apenas por puro prazer sexual, só parando quando ele recebeu uma proposta para trabalhar no exterior. As venenosas línguas bateram palmas, pois souberam que ela não aceitou em ir com ele, ou que ele não quis levá-la. As inimigas diziam que ele não quis levá-la, mas aí quem poderá realmente saber o que ocorreu, não é?
17.01.07
pastorelli

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

48 – A Dama do Metrô


Malu ansiosa ficou pedindo para que o dia terminasse logo. No final da tarde, indo para o café, ele já estava lá. Foi direto ao encontro de Malu, e sem mais e sem menos, lascou um formidável beijo que a deixou suspensa por vários segundos. Sininhos badalaram em seu ouvido.
- Uhm, perfume... muito bom – falou seu intimo afoito.
Dando o braço para Malu, foram direto ao estacionamento. Entraram no carro e partiram para o apartamento dele. Pouco falaram durante o trajeto, apenas um momento em que ele pegou a mão dela e colocou-a no meio das suas pernas. Nesse momento, Malu estremeceu, ele já estava preparado, rígido e pronto.
- Você mexeu com a minha imaginação não sabe quanto.
Ela sorriu meio constrangida, sem saber o que dizer. Como dizia aquele velho ditado:
- “Quem sai na chuva é para se molhar”.
Chegando ao apartamento, cumprimentou o ascensorista que olhou para ela pelo canto do olho, talvez imaginando o que se sucederia.
Ele morava num apartamento grande, bonito, elegantemente decorado que deixou Malu extasiada, de boca aberta pela beleza do ambiente. Havia uma certa bagunça que não atrapalhava o luxo do apartamento.
Nem bem tinham entrado, fechou a porta, e começou a beijá-la ao mesmo tempo, tirava a camisa, a calça, à cueca e ficou nu, teso pronto. Deixou Malu vestida, e num afoitamento, colocou a camisinha, beijando-a, acarinhando suas costas de cima em baixo, erguendo a saia, arrancou a calcinha, e a penetrou jorrando num segundo dentro dela. Malu ficou decepcionada. Não era isso que esperava. Recompondo-se, ele disse:
- Desculpe, precisava fazer isso primeiro, mas depois demorarei mais cuidando de você como deve e como você merece.
16.01.07
pastorelli