segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

2 - A Dama do metrô

A Frô pediu para que eu falasse da Dama do metrô, como começou. Bom, todos os dias quando chego ao serviço, antes de começar o expediente, escrevo um bom dia para o pessoal - um grupo de amigos que querem receber o bom dia -, a princípio escrevia sobre coisas que me acontecia durante o trajeto serviço casa e casa serviço.
Uma vez ou outra pensamentos, o que eu achava de algo que me interessava, em fim diversas coisas. Como os acontecimentos foram rareando, isto é, estava me tornando repetitivo, passei a lembrar de fatos antigos, da minha infância, do quartel e por aí afora.
Como também esses fatos foram rareando, isto porque minhas lembranças eram curtas, não estava mais conseguindo lembrar, passei a narrar histórias que no primeiro texto sem que fosse proposital, denominei A Dama do metrô, numa referência à Dama da lotação, do Nelson Rodrigues que, por sua vez, se inspirou no filme A Bela da Tarde.
Não tive, como posso dizer, programado para escrever pequenas história com esse nome, o gozado é que fui donimanado, assim que sentava em frente ao micro, sentia necessidade de escrever, e a história vinha toda em minha mente, mas como tudo tem um fim, A Dama do metrô também chegou ao seu fim, pelo mesmo propósito dos outros textos, cansei e falta de criatividade para continuá-la. Espero que venham a gostar.
Abraço.
Pastorelli
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Suava. Suava frio apesar do calor. O suor escorria por suas costas indo desaguar entre as nádegas. O que aumentava ainda mais o excitamento. Procurava não expressar nenhuma reação, fixava o olhar por cima do ombro dele. O que era meio difícil, pois ele estava muito perto dela, sentia sua respiração quente, picando a pele do pescoço. Parecia que seus dentes brancos e bonitos, levemente mordiscavam sua pele amorenada e doce.


Quando ela entrou no trem, ele já estava lá, virado para a porta por onde ela entrou. Portanto, ela ficou cara a cara com ele. A primeira coisa que ela admirou foi os olhos do rapaz. Uns olhos profundos de melancólica dor, carente de proteção.

Na estação seguinte, foi empurrada contra ele. Seus seios se espremiam contra o peito do rapaz. Nisso sua mão foi conduzida para a braguilha da calça dele. Levou um susto, não esperava tal reação. Claro tinha pensado em algo, criar um clima, uma aventura, mas não assim, tão imediata. Queria algo mais devagar, talvez até romântica. Deixou a mão onde foi colocada.


Seus dedos finos e longos, massageavam a massa mole e quente por cima da calça de brim. O rapaz estava sem cueca, admirou-se:

“Ah! filho da puta já vinha preparado...”

Pelo rabo do olho distinguiu as feições do rapaz. Pensou em falar algo, talvez reclamar da situação, demonstrando assim que não era uma garota fácil, ou, quem sabe, marcar algo, um encontro, trocar um telefone.


Mas nisso, o trem parou, o sinal apitou, as portas se abriram, e o rapaz pediu licença e desceu. Desapontada, ainda viu o rapaz parado na plataforma fazendo um gesto obsceno e jogar um beijo para ela.


No dia seguinte pensou que fosse encontrar com ele novamente, porém, nunca mais o viu.


26.09.06
pastorelli

3 comentários:

soledade disse...

Um grande abraço, Osvaldo! Prazer em reencontrá.lo :)

poetas_lusófonos disse...

Prazer revê-la, Soledade e a todos que aqui aportaram.- Osvaldo

Frô disse...

Obrigada, Osvaldo, por contextualizar tua Dama, sem o saber ela sempre me remeteu as referências de Nelson Rodrigues :)
beijos
Frô