segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Procura-se: Maurício Rosa de Almeida

Nos diários do Patorelli reencontrei Maurício, por onde anda nosso poeta de Uberlândia, alguém sabe o paradeiro? Nem o big brother google foi capaz de achar pistas....

Fica um gosto de Maurício:

loucura

fugiu-me aquele dom de ver poesia
detrás de cada riso esmaecido,
na indefinição que embrulha o dia,
na proficiência do desconhecido...
com a ilusão perdida foi-se a lira,
o brilho anil do sonho mais querido,
restando a aflição que ao longe mira
um horizonte, roto, carcomido...
vasculho o entardecer do meu desejo
e todo encanto cabe nesse idílio
que chamo de ilusão; a morte assisto
medir-me, louco a infância ainda beijo
pela boca inconsciente do meu filho,
vestindo o amanhã que já não vejo!

Maurício Rosa de Almeida

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Anverso

Ao Joeldo Veloso de Holanda

Aberração evolutiva é o que nós somos
se dos trilhões que existiam os insanos
representantes da espécie nos tornamos
mas loucos tristes porque nos digladiamos
por nada e nada que fazemos e pensamos
tem condição de se explicar pela razão...
Basta aliar-se à coerência e recordar:
um certo dia com a falange pretendente
nos debatemos ao acaso e finda a luta
vozes com face e pensamento nos fizemos
vestindo a obrigação de dar contas à vida
dos atos que derramássemos no poente.
Falhamos pois se nos miramos vê-se um bando
de moucos cegos de mazelas salpicados
desmerecendo a augusta escolha do universo
se comportando como deuses sendo ímpios
nos abatendo com a crueza que escondemos...
Às vezes preterindo o plano assim rumino:
"e se ao limbo retornássemos um dia
e paulatinamente víssemos o tempo
sendo reprojetado sobre a existência...
Será que o fundo da consciência doeria?
será que o acaso ainda nos escolheria ?
será, enfim, que a humanidade existiria?"

Mauricio Rosa de Almeida

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agnosia

desconhecidas letras sobre o tempo
cerzidas noutro tempo vos dirão:
" luteis com os antigos contratempos
dos vossos ancestrais e quando sós
revolverdes os colmos tereis medo
porque vereis a ilusão nos entrenós...
sabereis pois que sobre o tempo a sombra
de um templo aprouveram construir
para ocultar a cor que intentara
o tempo de vos fazer conhecer..."

Maurício Rosa de Almeida

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ajuste

da cova funda
o tédio espia
o sol que afunda
mansamente
colorindo o arrebol
enquanto isso
o tempo
calmamente
espraia sal
no que restou
da ilusão
que um dia
fomos nós!

Maurício Rosa de Almeida

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apatia

os passos que a manhã furtou de mim
caminham pelo quarto desconexos,
se miram nas agruras descobertos,
se embrulham nas ataduras do fim...
ruminam rastros doutros tempos findos,
promessas fazem à foice do devir,
calçam o tempo qual uma ferradura,
a vida escavam atrás de um porvir...
divagam sem razão e a estrela guia,
o gesto sábio ansioso de encontrar
o vértice ideal que o mundo anseia
fugiu-lhes da razão, jogou-se ao mar
da gris vicissitude que permeia
a ida dos que não irão voltar...

Maurício Rosa de Almeida

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Cortesã

A noite dorme neste peito triste

desde o instante que te foste, vi

o sonho antigo se acabar e insiste

a solidão em decretar-me o fim...

Do teu sussurro sinto o acre gosto

da farpa, farsa que nos separou,

se faço verso inconsciente mostro

o fio da adaga que me trespassou:

tua promessa de amor infindo

nos olhos negros cheios de calor;

hoje não tenho teu sorriso é grande

a dor cruel de imaginar-te assim

entre percalços pajeando luas

por ruas calvas das paixão, sem mim!

Maurício Rosa de Almeida

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apressa-te!

o tempo urge... e, lá fora,

as crianças contam os antigos dias

longos... enfadonhos...

que contávamos ontem;

bebem as mesmas imagens que sorvíamos quando

o sol nos sorria, luzidio e sábio,

entre as nuvens úmidas!

vem!

deixa que se vejam as sementes santas

que ainda guardas ternamente túrgidas

no teu coração...

e que se misturem com a natureza

o resto de angústia que guardaste em vão!

eu já não procuro entre as pedras sobras,

cacos, velhas sombras, pedaços de nós,

apenas me permito o intante,

os gestos que em versos

distribuo após.

Maurício Rosa de Almeida


5 comentários:

soledade disse...

Aí está um poeta e um companheiro de quem eu gostaria verdadeiramente de saber notícias. Passaram tantos anos...

maria fro disse...

Sabe o que mais me espanta, como é possível nos perder e ele a nós, deixar a roda viva girar e não respirar pra dizer olá :(
beijos, ainda esperançosa que o encontraremos
Frô

Mauricio Rosa disse...

achei vocês!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
adivinha quem tá falando????????????

maria fro disse...

Oba! Oba! Oba!
a melhor notícia do dia :)
beijossssss, bem-vindo!

soreg disse...

... e eu, que procurava um por um (tava na vez do maurício), achei todo mundo de uma vez!!!

lindo 2009 pra todos!!!

beijos da sonia
sonia regina (ex-lanzillotte)