terça-feira, 11 de agosto de 2009

mornidez

estou cansado
cansado de tantas palavras
tantas letras misturadas
e que não dizem nada
estou cansado

sílabas que apenas roçam de passagem
para um objetivo qualquer
efêmero e fugidio
num jogo de suposições
estou cansado

de compor uma epopéia
de mitos legendários
despidos de sorte ou de azar
nus de intencionalidade
estou cansado

de compor um mundo vazio
repleto de pequenas tristezas
sonhos imbecilizados
de crianças que envelhecem
estou cansado

de compor cotidianos de martírios
de tatear na névoa
a mornidez que me alheia
ao fundo de um cenário de neon
estou cansado

enfim, de focos de escuridão
de misturar minha carne
em cima de lençois encardidos
onde deposito minha fome
estou cansado



por Claudio Fagundes (CAlex)

9 comentários:

poetas_lusófonos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
poetas_lusófonos disse...

Que me lembre nunca li um poema seu, não vou dizr também que esses sejam os primeiros, mas só posso lhe dizer: parabéns, principalmente Mornidez. Abraço e sucesso - pastorelli

Claudio Fagundes disse...

Obrigado, Oswaldo! Passei um longo tempo sem escrever. Agora abriu a torneira. Tem mais no meu blog!
Abraços!

mariafro disse...

C. Alex, bem-vindo, bom vê-lo por aqui
Bom te reler
beijo grande
Conceição

Claudio Fagundes disse...

obrigado, fro.
beijo em vc tb!

Fred Matos disse...

Ótimo poema, CAlex, coisa que para mim não é novidade.
Grande abraço

CAlex disse...

Obrigado, Fred. É muito bom estar aqui em tão boa companhia. Abraços!

innername disse...

este já está no multy, Claudio.
Gosto muito do poema e não da canseira e descrédito de tudo.

Claudio Fagundes - CAlex disse...

Sim, Cristina, está lá no meu Multiply. Eu sempre publico lá em primeira mão.