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sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Fado Antigo

Estava procurando um fado antigo, mas daqueles bem antigos mesmo, com chiado e tudo, e olha só o que encontrei:


fado antigo
Fred Matos


ouço, se não me traem os sentidos,
soando das cordilheiras líquidas do mar,
cordas de aço cantando um fado antigo.

ouço mulheres chorando a saudade dos filhos,
dos amantes, dos maridos;
marinheiros que nunca vão voltar.

na esperança de que voltem,
trocam as flores secas das grinaldas
as noivas que nunca vão casar.

são vozes gregas, fenícias, portuguesas...
que em comum toam, com a mesma melancolia,
a dor de quem vive só; só por esperar.


publicado em "Eu, Meu Outro"
Editora Poesia Diária
Maio/1999


Esse vai para a "tag" serendipidade.


Ole

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Tags, a todos

Queridos,

Olê neste post aqui, além de fazer uma linda homenagem ao Lau, ensina-nos muito sobre tags.

Vou dizer a vocês, como boa virginiana e historiadora que sou, adoro tags :). Elas são fundamentais na rede, pois por meio delas nossas pesquisas são possíveis.

Desde o dia 20/01/2008 quando nosso blog foi parido, temos 34 postagens, mais de mil visitas e estamos só no dia 02/02/2008. Como espero que nosso blog tenha vida longa como a nossa amizade, acho por bem que sejamos organizados nas tags.

Para quem não está familiarizado com a ferramenta do blog (coisa que sei esse nosso blog vai corrigir) é só prestar atenção quando abrirem uma página de nova postagem no quadro ao final da página (Marcadores para essa postagem). É aí nesta linha que vocês inserem as palavras chaves da postagem de cada um.

Eu dediquei um tempinho hoje pela manhã para definir as tags de todas as postagens que estavam em branco. Estou usando o seguinte critério: se é poesia originalmente escrita em português, uso a expressão poesia em língua portuguesa, se é conto (conto em língua portuguesa) o mesmo para crônica. Uso sempre o nome do autor e por vezes se tiver o título da referida obra postada. Se for um post como esse, seleciono o central e a autoria (tags, pesquisa, Frô).

Para checarem a utilidade das tags, experimentem clicar em alguma delas nos posts já publicados, experimentem, por exemplo, 'poesia língua portuguesa', verão que maravilha que é :)

beijinhos a todos e ótimo carnaval.

Frô

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Tags, meta tags e indexes de sentimentos




Nós, bloggers, temos mais ou menos alguma intimidade com tags, essas palavras-chave que servem para identificar o conteúdo de determinado post — e por conseqüência categorizar, colocando cada coisa em sua devida caixinha.

Acho interessante analisar como vamos atribuindo tags ao longo da vida, não somente para aquilo que escrevemos, mas também para tudo o que vivemos — utilizamos tags para separar "amigos" de "não-amigos", "chato" de "interessante", etc..

Dessa forma, também acabamos por indexar determinadas sensações e sentimentos, inclusive aqueles indizíveis, não exprimíveis com qualquer palavra em idioma humano.

Como, a citar alguns exemplos, se conseguiria nomear a sensação expressa pelo poema O Elefante do Drummond? A do 4º Motivo da Rosa de Cecília? As do Auto-Retrato, A Rua dos Cataventos, Poeminho do Contra de Quintana?

Há algumas semanas senti falta desse poema do Lau: como a maioria de vocês, tenho em mim uma sensação, de certa forma indefinida e intangível, indexada a ele.

Esse poema é a minha tag para algo que tem um quê de tranquilidade do cansaço da luta. Não aquele cansaço covarde, fraco, mas o sentimento de quem, finalmente, percebe que toda a luta é vã e é tolo tentar reter o curso de um rio com as próprias mãos — afinal, eles foram feitos unicamente para fluir.

De vez em quando eu preciso dele. É o meu index para a sensação de quem vive à margem dessa luta insensata observando borboletas ou buscando desenhos nas nuvens, enquanto os outros, os "simples mortais" — essa é minha tag para pessoas que não tem nenhuma sensação indexada a esse poema — morrem afogados, uns agarrados nos pescoços dos outros.

Pois se me perguntassem nesse dia o que havia comigo, certamente teria respondido:

— É que hoje estou me sentindo "aos predadores da utopia"...



Olegario Schmitt