quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

para Adair Carvalhais Júnior

mergulho nas horas ao longo da avenida afagando segredos
entre os solitários sorrisos preocupados em apenas ser
não encontro-me no lugar das pedras para me satisfazer
encontro-me em lugar nenhum talvez para ser caçado

e adormeço na sombra da morte divina companheira

anoiteço nas horas ao longo da avenida revelando segredos
em noites onde a carne faminta se expõem ao clamor dos desejos
inútil a carne pálida de esgotada vida se extingue ao clarear
do dia cujas horas compridas engole o sêmen desprotegido

pastorelli
31.01.2008



- poema inspirado em “horas compridas”, de Adair Carvalhais Júnior –


horas compridas
entre coisas
tantas sem


sentido não
encontro
lugar


nenhum


adormeço como


anoiteço


dias demasiado
compridos


a carne inútil
mente exposta


a vida esgotada


Adair Carvalhais Júnior

2 comentários:

Adair Carvalhais Júnior disse...

obrigadOswaldo: você sempre me desconcertando.

abração

Adair

Mariana disse...

vim seguindo o google, achei-me onde deveria. lindo poema. devo dizer lindos poemas: também o que o inspirou.