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corasol
se tardo cedo
se cedo tarde
cedo e tarde
ardo
queimo
entre as 10 e as 14
queimo
na sombra
queimo
entre as horas de teu corpo
queimo
fora de hora
tem tratamento
cremes pós-sol
tentam acalmar a pele
no hospital de queimaduras
o plano de saúde
cobre aplicação de raios laser
melhora o aspecto
da parte de fora
um coração que arde
não se cura do sol por dentro
ao anoitecer
de madrugada
deixa as cortinas abertas
para eu te queimar
de lua
AL-Chaer
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
37 – A Dama do Metrô.

O quarto na meia luz não se conseguia ver os detalhes. O que Malu viu foi três pessoas num furor sacudindo a cama que rangia a música de corpos em prazeres nunca imaginados. Não sabia se entrava ou se voltava. Por segundos ficou com os olhos presos naquela massa escura que gemia embolada pela penumbra do quarto.
- Não quer participar? – ouviu alguém dizer a suas costas.
Era Luciano. Pega de surpresa, se assustou, pois ele estava nu, e trazia uma garrafa de uísque e quatro copos.
- Eu... Não sei... – gaguejou
- Ora vamos, você está aqui para isso, não é?
- Bem... Na verdade é que...
- Então, entre.
E com o corpo foi empurrando Malu para dentro do quarto. Não teve tempo de esboçar nenhum gesto de recusa. Deixou-se levar. Foi se afastando até que suas pernas encostaram-se à borda da cama. Sem pressa, Luciano depositou os copos no chão, abriu a garrafa de uísque e encheu dois copos, ofereceu um a ela. Com a respiração ofegante, Malu sentou na cama e aceitou o uísque. Luciano sentou ao seu lado.
- Beba devagar, não precisa de pressa, temos a noite toda.
Malu olhou para os três atrás deles, como se dissesse:
- E eles?
- Não liga, não ligam para nós.
- Mas você estava com eles?
- Usou a expressão certa: estava, agora não estou mais. São meus amigos.
- Os três homens?
- Não, dois homens e uma mulher.
- Ah! Sei...
Luciano se achegou mais para perto dela. Malu tremia, queria e evitava em tocá-lo. Talvez por sua nudez assim de repente, tenha a constrangido. Tomou mais uma boa dose de uísque. A bebida desceu esquentando-a. Sentiu a tensão se relaxar. Envolveu-se numa ternura sem explicação quando os lábios vermelhos de Luciano tocaram os seus. Os seios queriam furar a blusa espetando o peito nu de Luciano. As mãos deles subiram por suas coxas, encontraram resistência que logo caíram em seus dedos conhecedores de grutas e cavernas.
Seus corpos se estiraram ao lado dos outros. Com a paciência que lhe cabia, Luciano foi tirando peça por peça e beijando seu corpo a cada peça que era jogada longe. Sentado em cima dela, apreciava a pela amorenada num arfar tépido de satisfação. Segurou o prazer para não molhar, ainda, a macieza da pele que tanto desejara. Malu saboreava a visão fálica apontada para seu rosto, fez menção de se mexer, porém, resolveu ficar imóvel e ver até onde Luciano ousaria.
21.12.06
pastorelli
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
poema - preferencial ao portador
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preferencial ao portador
o amor é cego
e pede sangue
oh positivo
oh negativo
nesta biometria
incalculável
à vista
a prazo
fujo do sinal de igual
não dou conta
ou se me dou conta
não somo
ou sumo
vale a gastrite
apostar a paixão
no seu mercado futuro
o amor não é cego
é a escuridão
que toma conta
tomo um pouco de ar
tomo um pouco de espaço
pra quê eletrocardiograma
a tira de papel é muito estreita
para esses altos e baixos
minha vista está turva
o amor é embaçado
não me venham com colírios
eu só preciso de uma bolsa
de sangue
tipo dela
e um anti-ácido
AL-Chaer
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preferencial ao portador
o amor é cego
e pede sangue
oh positivo
oh negativo
nesta biometria
incalculável
à vista
a prazo
fujo do sinal de igual
não dou conta
ou se me dou conta
não somo
ou sumo
vale a gastrite
apostar a paixão
no seu mercado futuro
o amor não é cego
é a escuridão
que toma conta
tomo um pouco de ar
tomo um pouco de espaço
pra quê eletrocardiograma
a tira de papel é muito estreita
para esses altos e baixos
minha vista está turva
o amor é embaçado
não me venham com colírios
eu só preciso de uma bolsa
de sangue
tipo dela
e um anti-ácido
AL-Chaer
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segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Série: Futebol em Movimento / AL-Chaer
Poesia Visual
AL-Chaer
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AL-Chaer
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Eu tinha colocado em um "pôsti" anterior, que voltaria para falar sobre os meus poemas visuais que participaram, recentemete, da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília. Eis, então.
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O eixo da obra Futebol em Movimento é a paixão pelo Futebol.
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Vários poemas visuais constantes deste conjunto foram submetidos à apreciação do curador Wagner Barja e cinco foram selecionados para a mostra OBRANOME II, que ficou em exposição no Museu Nacional da República, de 4 a 28 de setembro, fazendo parte dos eventos da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília.
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Cinco poemas visuais compõem o movimento desta paixão descrevendo os elementos fundamentais, a saber: a tática, o drible, a torcida e o ídolo, o Rei e a rivalidade.
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Estes Poemas Visuais – na linha do Letrismo – buscam representar a palavra ideogramatizada.
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Vários poemas visuais constantes deste conjunto foram submetidos à apreciação do curador Wagner Barja e cinco foram selecionados para a mostra OBRANOME II, que ficou em exposição no Museu Nacional da República, de 4 a 28 de setembro, fazendo parte dos eventos da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília.
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Cinco poemas visuais compõem o movimento desta paixão descrevendo os elementos fundamentais, a saber: a tática, o drible, a torcida e o ídolo, o Rei e a rivalidade.
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Estes Poemas Visuais – na linha do Letrismo – buscam representar a palavra ideogramatizada.
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Convido-os a visitar o Blog "visu-AL-Chaer", no endereço:
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Neste Blog, há - ALém de outros poemas visuais de minha ALtoria - todos estes poemas desta Série Futebol em Movimento, apresentados na sua Versão originAL e com fotos da Mostra de Poesia Visual, que aconteceu no Museu Nacional da República.
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AL-Braços
AL-Chaer
Um pouco sobre Poesia Visual
Para começar, a Poesia Visual divide o “leitor” em duas categorias: os que a apreciam como mais uma forma de manifestação da arte e os que (apreciando ou não) discordam do termo “poesia” utilizado para classificar esta manifestação artística.
Ainda há muita resistência para com a Poesia Visual. Uma resistência até que compreendida, principalmente em meados do século passado, pois a Poesia Visual foi considerada um movimento de vanguarda. Toda vanguarda incomoda. As vanguardas têm uma conotação de ruptura e, as rupturas perturbam a ordem natural dos acontecimentos. No entanto, se voltarmos ao tempo das cavernas, notaremos que as pinturas rupestres já davam uma pista de que o Homem necessitava de símbolos e signos como mais uma forma de se comunicar. Ali se manifestava a essência e, na minha opinião, a gênese da Poesia Visual.
A expressão “Poesia Visual” se espalhou mundialmente, no século passado. Atualmente, alguns estudiosos preferem chamá-la de Poesia Inter-semiótica, o que – conceitualmente – é um termo mais abrangente para representar esta forma de expressão. Contudo, a denominação Poesia Visual “pegou” e quanto a isto não há nada o que fazer.
Vejo que o cerne da resistência sobre esta manifestação da Poética está no equívoco que cometemos ao falar do que seja Poesia e do que seja Poema. Acontece que confundimos Poesia com Poema. Se formos buscar uma definição simples, fico com: Poesia é o gênero de composição poética e Poema é a obra deste gênero. Estamos acostumados com o Poema na forma de texto. A palavra como elemento por onde o Poema se forma para dar vazão à Poesia. Lembremos Platão, quando se preocupou em separar as obras literárias em três gêneros: a tragédia e a comédia (no teatro), a poesia lírica e a poesia épica. A Poesia Visual seria, portanto, mais um gênero da Poesia.
Convido-o, leitor, a atravessar a linha do tempo, sem nos preocupar com a cronologia: saltemos para o início do Século XX, com os caligramas de Apollinaire; retornemos ao final do Século XIX, com Mallarmé e sua profusão mesclando simbolismo e dadaísmo, especialmente no clássico Um coup de dês jamais n’abolira Le hasard; voltemos ao Século XX, com os estudos de Ezra Pound, o surgimento do Movimento Concretista (tendo o Brasil como um dos expoentes nesta linha, ao ponto de criar a denominação Poema Concreto, mundialmente adotada); ainda no Século XX, lembremos o Letrismo, na Europa de 1940; e o que dizer da Arte Pop, que colocou tudo junto?
Poderíamos explorar mais eventos nos últimos cem, duzentos anos, para dar exemplos de toda a efervescência dos movimentos artísticos e literários, mas os citados acima já bastam como referência para chegarmos à atualidade, com todo o avanço tecnológico, que coloca à disposição do Homem ferramentas de hiper-texto, onde texto, imagem, sons e movimento podem ser manipulados (no sentido “faber” da palavra) com extrema facilidade. Para concluir esta linha de raciocínio, o que – numa época – foi vanguarda, hoje é conseqüência natural da História da Poesia. Entendo que a Poesia Visual deve ser compreendida como mais um gênero, sem tomar espaço de nenhum outro.
A Poesia Visual parece muito com Artes Plásticas? Parece, sim. Utiliza dos recursos das instalações? Utiliza, sim. É Poeta? Ou é Artista Plástico? Quando se reduz (no sentido de síntese) ao objeto em si, parece escultura? Parece. E quando se utiliza da animação? Da imagem em movimento? Estaria mais próxima do cinema? O Poema Visual exagera no hermétismo? Carece de significação? Cadê o diálogo com o “leitor”? São indagações pertinentes, sim. Eu também as faço para mim mesmo. Mas este questionamento deve ser feito com “abertura” rumo a compreensão e não com má vontade, apenas com a pré-disposição ou – até – um preconceito para com a Poesia Visual.
Na minha produção de Poesia Visual, nos últimos 3 anos, tenho me limitado à “palavra ideogramatizada”, que – descobri - está no manifesto do “Letrismo”, de modo a não me afastar da palavra. E, analisando a minha trajetória e as experimentações e influências, a palavra ainda é o meu símbolo preferido. Daí eu ainda não ter passado ao objeto em si, ao objeto pelo objeto, simplesmente. Daí eu não ter – ainda – experimentado o poema visual que se parece, apenas, como uma escultura. Daí eu não partir para o poema visual que se parece, apenas, com uma tela de pintura e/ou colagem. Mas tudo é uma questão de opção. Só o tempo dirá se minha Poesia Visual trilhará outras vertentes, que não sejam o que chamo de “ode à palavra”, explorando os caracteres que a formam.
Mas, ficar querendo impedir essa interseção, acho que não tem sentido. E, salientando mais uma vez, o que foi vanguarda em meados do Século XX, atualmente não tem mais esta conotação. A questão das rupturas é uma discussão que ficou no passado, entre os oponentes da época. Atualmente, todos somos sobreviventes e ninguém perdeu a guerra, nem houve vencedores.
Há espaço para a Poesia no Poema-Texto. Há espaço para a Poesia no Poema Visual. São dois espaços distintos, que demandam leituras distintas. Um não sobrepuja o outro. E vice-versa. E, por falar em vice, não há “segundo lugar”. Há o lugar de cada um.
Ainda há muita resistência para com a Poesia Visual. Uma resistência até que compreendida, principalmente em meados do século passado, pois a Poesia Visual foi considerada um movimento de vanguarda. Toda vanguarda incomoda. As vanguardas têm uma conotação de ruptura e, as rupturas perturbam a ordem natural dos acontecimentos. No entanto, se voltarmos ao tempo das cavernas, notaremos que as pinturas rupestres já davam uma pista de que o Homem necessitava de símbolos e signos como mais uma forma de se comunicar. Ali se manifestava a essência e, na minha opinião, a gênese da Poesia Visual.
A expressão “Poesia Visual” se espalhou mundialmente, no século passado. Atualmente, alguns estudiosos preferem chamá-la de Poesia Inter-semiótica, o que – conceitualmente – é um termo mais abrangente para representar esta forma de expressão. Contudo, a denominação Poesia Visual “pegou” e quanto a isto não há nada o que fazer.
Vejo que o cerne da resistência sobre esta manifestação da Poética está no equívoco que cometemos ao falar do que seja Poesia e do que seja Poema. Acontece que confundimos Poesia com Poema. Se formos buscar uma definição simples, fico com: Poesia é o gênero de composição poética e Poema é a obra deste gênero. Estamos acostumados com o Poema na forma de texto. A palavra como elemento por onde o Poema se forma para dar vazão à Poesia. Lembremos Platão, quando se preocupou em separar as obras literárias em três gêneros: a tragédia e a comédia (no teatro), a poesia lírica e a poesia épica. A Poesia Visual seria, portanto, mais um gênero da Poesia.
Convido-o, leitor, a atravessar a linha do tempo, sem nos preocupar com a cronologia: saltemos para o início do Século XX, com os caligramas de Apollinaire; retornemos ao final do Século XIX, com Mallarmé e sua profusão mesclando simbolismo e dadaísmo, especialmente no clássico Um coup de dês jamais n’abolira Le hasard; voltemos ao Século XX, com os estudos de Ezra Pound, o surgimento do Movimento Concretista (tendo o Brasil como um dos expoentes nesta linha, ao ponto de criar a denominação Poema Concreto, mundialmente adotada); ainda no Século XX, lembremos o Letrismo, na Europa de 1940; e o que dizer da Arte Pop, que colocou tudo junto?
Poderíamos explorar mais eventos nos últimos cem, duzentos anos, para dar exemplos de toda a efervescência dos movimentos artísticos e literários, mas os citados acima já bastam como referência para chegarmos à atualidade, com todo o avanço tecnológico, que coloca à disposição do Homem ferramentas de hiper-texto, onde texto, imagem, sons e movimento podem ser manipulados (no sentido “faber” da palavra) com extrema facilidade. Para concluir esta linha de raciocínio, o que – numa época – foi vanguarda, hoje é conseqüência natural da História da Poesia. Entendo que a Poesia Visual deve ser compreendida como mais um gênero, sem tomar espaço de nenhum outro.
A Poesia Visual parece muito com Artes Plásticas? Parece, sim. Utiliza dos recursos das instalações? Utiliza, sim. É Poeta? Ou é Artista Plástico? Quando se reduz (no sentido de síntese) ao objeto em si, parece escultura? Parece. E quando se utiliza da animação? Da imagem em movimento? Estaria mais próxima do cinema? O Poema Visual exagera no hermétismo? Carece de significação? Cadê o diálogo com o “leitor”? São indagações pertinentes, sim. Eu também as faço para mim mesmo. Mas este questionamento deve ser feito com “abertura” rumo a compreensão e não com má vontade, apenas com a pré-disposição ou – até – um preconceito para com a Poesia Visual.
Na minha produção de Poesia Visual, nos últimos 3 anos, tenho me limitado à “palavra ideogramatizada”, que – descobri - está no manifesto do “Letrismo”, de modo a não me afastar da palavra. E, analisando a minha trajetória e as experimentações e influências, a palavra ainda é o meu símbolo preferido. Daí eu ainda não ter passado ao objeto em si, ao objeto pelo objeto, simplesmente. Daí eu não ter – ainda – experimentado o poema visual que se parece, apenas, como uma escultura. Daí eu não partir para o poema visual que se parece, apenas, com uma tela de pintura e/ou colagem. Mas tudo é uma questão de opção. Só o tempo dirá se minha Poesia Visual trilhará outras vertentes, que não sejam o que chamo de “ode à palavra”, explorando os caracteres que a formam.
Mas, ficar querendo impedir essa interseção, acho que não tem sentido. E, salientando mais uma vez, o que foi vanguarda em meados do Século XX, atualmente não tem mais esta conotação. A questão das rupturas é uma discussão que ficou no passado, entre os oponentes da época. Atualmente, todos somos sobreviventes e ninguém perdeu a guerra, nem houve vencedores.
Há espaço para a Poesia no Poema-Texto. Há espaço para a Poesia no Poema Visual. São dois espaços distintos, que demandam leituras distintas. Um não sobrepuja o outro. E vice-versa. E, por falar em vice, não há “segundo lugar”. Há o lugar de cada um.
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AL-Braços
AL-Chaer
domingo, 5 de outubro de 2008
36 – A Dama do Metrô

Sozinha, perdida no meio da multidão, ficou sem saber como agir e para onde ir. Os pés começavam a doer, não devia ter vindo de sapato alto, pensou abrindo a porta da cozinha. Não tinha ninguém, apenas a empregada que lavava a louça suja. Serviu-se de um uísque bem generoso e voltou para a sala. Não conhecia ninguém, aliás tinhas umas pessoas que viu de relance na televisão, no cinema, mas nada que se dissesse: eu conheço. Procurou com os olhos para ver se via Valdo, mas este assim que chegaram, deixou-a plantada no meio da sala e, subiu a escada acompanhada de uma loira platinada. Tinha sido avisada, não podia reclamar.
- Na festa cada um cuida de si, certo?
- Na festa cada um cuida de si, certo?
- Certo. – respondeu concordando.
Certo, é isso mesmo, pensou. Aceitou o convite, isto porque, seu relacionamento com Valdo estava na linha reta, aliás já tinha se prolongando muito. Vira somente uma duas vezes Luciano e, foi em momentos que não dava para falar com ele. Soubera que freqüentava esse tipo de festa, portanto nada mais justo estar aqui. O que a deixou assim meio ressabiada foi ser obrigada a fazer o exame de HIV, mas sem ele não poderia estar aqui, pois fazia parte da regra do jogo, era o convite para ser aceita. Relutou um pouco a principio, mas quem não fica com medo ao fazer exame desse tipo? Felizmente seu exame dera negativo, não tinha a famigerada doença, portanto agora era só se divertir.
Ao colocar o copo em cima da mesa, reparou que um senhor a olhava. Disfarçou para que não percebesse que ela tinha percebido o seu olhar. Pegou outro uísque que o garçom lhe oferecia. Bom, o jeito é circular no meio desse pessoal, ficar parada não vai adiantar nada, disse mentalmente.
De repente surge cambaleando uma moça nua no alto da escada. Todos voltaram à atenção para ela com medo de rolar escada abaixo. Nisso, vindo do fundo do corredor apareceu um rapaz, também nu, e a agarrou, arrastando-a para um dos quartos. Todos voltaram suas atenções para si mesmos, isto é, voltaram as suas conversas.
A sala não era muito grande, não estava completamente cheia, se via grupinhos aqui e ali, ou pessoas sozinhas perambulando sem saber o que fazer, como ela. Talvez alguém a notando e se interessando por ela, ou ela se interessando por alguém poderia sair daquela pasmaceira em que se encontrava. Porém não tinha ninguém em que pudesse se interessar. E quem ela procurava não estava aqui ou, se estava, deveria estar lá em cima num dos quartos. Por isso, resolveu subir. Quando estava no meio da escada, notou os olhares sobre ela. Entendeu, ninguém subia se não fosse acompanhado.
- Bom agora que já subi a metade não vou voltar. – pensou.
Assim que pisou o último degrau, deparou com um imenso corredor com portas dos dois lados. E agora? O que faria? Como se não quisesse nada, despreocupada, abriu a primeira porta, afinal era marinheiro de primeira viagem, ninguém lhe dera explicação nenhuma. Assim sendo, abriu a porta a sua esquerda. Bem devagar, e, o que viu deixou-a tremula e umedecida.
20.12.06
pastorelli
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Bons Sonhos
Quando a noite me traz um doce sonho,
pela manhã me invade um sentimento
que não sei explicar mas que suponho
vem de um adormecido encantamento.
Tudo porém desfaz-se de repente
e da porta daquele terno mundo
ainda a cintilar em minha mente,
ecoa o meu suspiro mais profundo.
São gente simples, são belas paisagens
que despertam em mim uma saudade,
e me fazem querer que tais imagens
possam ser parte da realidade.
Resta-me expulsar a nostalgia
deixada pelo engano da magia.
Rosa Clement
pela manhã me invade um sentimento
que não sei explicar mas que suponho
vem de um adormecido encantamento.
Tudo porém desfaz-se de repente
e da porta daquele terno mundo
ainda a cintilar em minha mente,
ecoa o meu suspiro mais profundo.
São gente simples, são belas paisagens
que despertam em mim uma saudade,
e me fazem querer que tais imagens
possam ser parte da realidade.
Resta-me expulsar a nostalgia
deixada pelo engano da magia.
Rosa Clement
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